Como me tornei um empreendedor e os aprendizados que tive em meu início de trajetória
"Esta escolha passou longe de ser uma decisão racional! Eu era MUITO ruim, MUITO MESMO."
Postado em 14/08/2017
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Decidir escrever sobre empreendedorismo logo em meu primeiro artigo é um tanto quanto ousado, pois existem pessoas mais capacitadas e bem sucedidas do que eu, porém sinto falta de exemplos próximos da realidade e considero o meu um desses.

Vejo muitas pessoas disseminando conteúdo com fórmulas certeiras, ensinamentos secretos e modelos vencedores. “Abra um negócio e fique rico em 01 ano”, entre outros títulos que considero um tanto quanto ilusórios.

Empreender não é fácil, tem que ter muita disposição, coragem, força de vontade, foco, entre outros fatores. Gosto de dizer que para ser um empreendedor é necessário ter muito estômago, e mesmo assim acredito que qualquer pessoa é capaz de empreender.

Não me considero um ponto fora da curva e acredito que a grande maioria dos empreendedores brasileiros também não se consideram assim. Somos pessoas comuns, que decidiram investir o seu tempo e dinheiro em algo próprio, buscando, dia após dia, um lugar ao sol.

A seguir vou contar aprendizados que tirei em minha vida pessoal e início de trajetória profissional e que acredito serem muito importantes para qualquer momento em nossas vidas.

Persistência: o que aprendi jogando futsal

 

Quase todos os pais se preocupam em colocar os filhos em todo tipo de esporte, para fazer a molecada se exercitar e escolher uma ou mais das inúmeras opções que existem.

Quando pequeno, que eu me lembre, pratiquei natação, judô, tênis, ginástica olímpica, basquete, futebol e futsal. De basquete fiz poucas aulas e o judô abandonei após 02 meses de treino. Já natação, ginástica olímpica e tênis treinei por alguns anos e me dava muito bem tanto na natação quanto no tênis, porém abandonei todos os esportes para investir todo o meu esforço em um só: o futsal.

Esta escolha passou longe de ser uma decisão racional! Eu era MUITO ruim, MUITO MESMO. Não existia um pingo de vocação para o esporte, e mesmo assim insisti. Com certeza foi a pior escolha que eu poderia ter feito na época, mas hoje olho para trás e vejo claramente que foi a melhor de todas, e vou explicar abaixo o porquê:

Fiz de tudo para chegar sempre no horário e não faltar;

Prestei atenção em tudo o que os meus técnicos e colegas falavam, ensinavam e faziam;

Treinei insistentemente fundamentos para desenvolver a habilidade de jogar futebol;

Joguei com pessoas melhores do que eu e me esforcei ao máximo para superá-las;

Descobri que era possível aprender e desenvolver algo que eu não sabia;

Aprendi que com estratégia e jogadas ensaiadas era possível vencer;

Conheci as minhas limitações e sempre busquei ultrapassá-las.

Depois de muita prática, treino e esforço, participei de campeonatos, joguei ao lado de amigos e atletas que admirava e contra times difíceis. Em alguns momentos até cheguei a ser titular!

Posso dizer que desde pequeno o otimismo esteve presente em minha vida, como atesta uma lembrança contada pelo meu pai: “Quase todo jogo você ficava no banco de reservas e quando entrava jogava pouco tempo. Mas ao ir embora para casa, muitas vezes você me disse: pai, você viu aquele gol que eu QUASE fiz?”

Consistência: preparo para o vestibular

 

Nunca fui o mais inteligente ou o mais esforçado durante os meus estudos na adolescência. No primeiro e segundo anos do colegial eu fiz o mínimo de esforço, que basicamente era prestar atenção nas aulas, fazer as tarefas e estudar um pouco para as provas.

Em meu colégio as aulas eram puxadas e todo o sistema de ensino voltado para o vestibular. Dentro da escola existia a sala A, que era composta pelos alunos com as melhores notas do semestre, e acontecia uma disputa entre os alunos para estar nela.

Nos dois primeiros anos eu não me preocupei com isso, mas no terceiro fiz de tudo para estar entre os melhores. Havia uma certeza grande dentro de mim que se eu me empenhasse o suficiente, entraria na sala A e iria passar em uma boa faculdade.

Eu sabia que a minha receita era simples, porém efetiva:

Prestei atenção nas aulas, não importava qual fosse;

Anotei tudo o que era possível, de forma organizada;

Aula dada era aula estudada (sério!);

05 horas de estudo em casa, de segunda a sexta;

Levei a sério os simulados, pois era um treino importante para o vestibular;

Estudei provas antigas dos vestibulares que eu iria prestar;

E aproveitei sem culpa os momentos de lazer.

Com esta estratégia, consegui ter uma vida normal neste ano de preparo para o vestibular. Claro que se eu fosse prestar medicina ou engenharia, por exemplo, a receita seria outra. Mas como estudei para administração, foi possível ter essa balanço entre estudos e vida social.

Se analisarmos a minha receita, é possível identificar que:

O objetivo estava claro e definido;

Uma rotina foi estabelecida;

Um planejamento foi feito para atingir este objetivo;

Este planejamento foi implementado;

E o planejamento foi respeitado durante o ano.

Podemos dizer que implementei o ciclo PDCA para passar no vestibular, mesmo sem ter conhecimento algum sobre o termo. (Para saber o que é o PDCA, segue um artigo de fácil leitura da endeavor: https://endeavor.org.br/pdca/).

Aproveitando oportunidades: o que aprendi na Atlética

 

Logo que entrei na faculdade, fui atrás de uma entidade estudantil para poder ocupar o meu tempo, já que não pretendia estagiar nos primeiros anos. Interessei-me pela AIESEC e pela Atlética, mas fui reprovado no processo seletivo da AIESEC. Como por sorte ainda não existia seleção para a Atlética, acabei indo para lá (ufa).

Em 2007 a Atlética tinha poucos membros, então não houve divisão de áreas para os bixos, portanto acabei fazendo de tudo um pouco. Desde o começo eu me aproximei do DGE (diretor geral de esportes) e do Presidente, e extraí o máximo de aprendizado deles.

Acompanhei treinos, trabalhei em festas, fiz representações nos jogos, fui em reuniões com outras Atléticas, enfim, aprendi um pouco sobre cada área.

Quando chegou a época de eleições para cargos, a minha vontade era de ser o diretor de futsal, pois eu treinava no time e já existia um veterano que tinha tudo para ser um dos novos DGEs. Uma evolução natural, pois geralmente os DGEs tinham experiência em outros cargos e estavam há mais tempo dentro da entidade, sendo pessoas mais preparadas para assumir tal responsabilidade.

Eis que no dia da escolha esse veterano desistiu de ser o DGE, e quando o Presidente perguntou se alguém se candidataria para o cargo, na hora eu levantei a minha mão e num passe de mágica virei um dos DGEs para 2008.

Outro acontecimento interessante foi na escolha de cargos para a comissão organizadora do “Economíadas Caipira”, um dos jogos de que a FEA participa. No final de 2007, também em uma reunião de escolha de cargos, uma oportunidade caiu em meu colo. Ter cargos na mesa é muito importante e a FEA não queria ficar de fora,  porém não tinha ninguém preparado para assumir um. Mesmo assim nosso presidente levantou a mão e me apresentou como candidato para a vaga de diretor financeiro (juro que na época eu não sabia mexer no excel).

Eu não sabia que ele iria fazer isso, muito menos estava preparado para assumir um cargo financeiro. Mas aconteceu, encarei o desafio, fui lá e fiz.   

Minha trajetória dentro da Atlética foi recheada de momentos em que eu não estava preparado para assumir determinado cargo ou função, porém eu realmente acreditava em mim e na minha capacidade de realizar o que estava sendo proposto, mesmo com várias pessoas não acreditando nisso.

Claro que não foram somente acertos e vitórias, errei em muitas coisas dentro da Atlética e durante os meus anos empreendendo, e isso é natural. Se você tentar, você vai errar, mas realmente é errando que se aprende.

Após quase 03 anos na Atlética (e na faculdade), a realidade bateu em minha porta: estava na hora de deixar a entidade, dedicar mais esforço algum esforço na graduação e arrumar um estágio.

Identificando oportunidades: a abertura da minha primeira empresa

Enviei currículo para todo tipo de empresa e pedi indicações para alguns amigos. Lembro que fui chamado para os processos e entrevistas das seguintes empresas: Elektro; Nestlé; Dabi Atlante e AmBev. Porém não fui contratado para nenhuma vaga! E agora, o que fazer?

O mais comum a se fazer seria continuar procurando um estágio, porém não gostei da experiência que tive com essas entrevistas e nesse meio tempo surgiu a oportunidade de auxiliar um veterano a produzir um pequeno evento de jogos universitários em Ribeirão Preto.

Depois desse evento, uma luz acendeu em minha cabeça. Porque não abrir uma empresa para produzir jogos universitários? Olha que maravilha, com essa ideia era possível fazer o que  gostava (festa, é claro), continuar trabalhando com o mercado universitário, não precisar fazer estágio e, de quebra, ganhar dinheiro!

Com essa ideia na cabeça, liguei para 02 caras que eu admirava, que sabiam mais do que eu sobre produção de eventos e jogos universitários e tinham competências complementares às minhas. Hoje posso dizer que a escolha foi ao mesmo tempo por afinidade e amizade, mas também por estratégia, por tentar montar uma equipe complementar.

Em duas ligações nós já estavamos praticamente com a empresa aberta. No começo o Tiago relutou com a ideia, pois na época não deveria botar muita fé em mim (haha), mas quando soube que o Mikhael havia entrado na história, decidiu fazer parte.

E pronto, a sociedade estava feita. Com algumas reuniões decidimos nome, pesquisamos concorrentes, nos lançamos no mercado e participamos de nossa primeira concorrência, da qual saímos vitoriosos.

Foram 07 anos de muitas histórias e aprendizados, mas vou deixar para detalhar esses anos nos próximos artigos. O que tirei de aprendizado nesse meu início no mundo empreendedor foi o seguinte:

Acredite em você, mesmo que ninguém o faça;

Aprenda com quem sabe mais do que você;

Cerque-se de pessoas boas e competentes;

Parece bobeira, mas ser otimista e pensar positivo é extremamente importante;

Não existe um momento ideal para assumir algumas responsabilidades, provavelmente você nunca estará pronto;

Aproveite as oportunidades, mesmo não estando preparado;

Uma ideia não serve para nada se não for executada.

Minha ideia com este artigo e outros que vou construir é mostrar a todos que é possível uma pessoa comum empreender. Nunca fui o melhor ou o mais esforçado, mas sempre me dediquei, esforcei-me, capacitei-me e arrisquei para conseguir o que queria.

Nada do que consegui fazer seria possível se não tivesse sido otimista e acreditado, e muito, no que eu conseguiria fazer (em muitos momentos duvidei).

Espero que tenha sido uma leitura agradável e inspiradora, pois o que mais quero é conseguir disseminar a cultura empreendedora e de alguma maneira ajudar a quem está pensando em abrir um negócio ou a quem já tem um negócio aberto.

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